quinta-feira, 19 de abril de 2012

A ESTRUTURA DA PERSONALIDADE NA TEORIA FREUDIANA


ANA PAULA DE T. C. FREITAS
CLAUDETE MARIA L. DA SILVA
ELIANE FLORIANO COLOMBO
IOLANDA LOURDES B. CUNHA
JANETE FURTADO DUARTE
MIRIÂNICE R. A. B. SILVESTRE
(alunas do 3º semestre de Graduação em Psicologia da
Faculdade Anhanguera – unidade Anchieta)

INTRODUÇÃO

Esse trabalho tem a finalidade de apresentar, resumidamente, alguns conceitos da teoria de Freud, considerado o pai da Psicanálise, sobre sua teoria a respeito da personalidade, e seu olhar em relação à pessoa humana e seus conflitos.  Inicialmente, Freud sugeria a divisão da vida mental em duas partes: consciente e inconsciente. A porção consciente, assim como a parte visível do iceberg, seria pequena e insignificante, preservando apenas uma visão superficial de toda a personalidade. Contudo, a maior parte do iceberg, a parte submersa, seria aquela responsável por manter todos os instintos, ou seja, as forças que impulsionam todo e qualquer comportamento humano. No limiar entre uma e outra estaria o pré-consciente.
Posteriormente, FREUD ao reavaliar essa distinção no aparelho psíquico, deu início ao estudo da chamada 2ª. tópica, e propôs os conceitos de id, ego e supergo. O id corresponde à sua noção inicial de inconsciente, seria a parte mais primitiva e menos acessível da personalidade, desconhecendo o julgamento de valores, o bem e o mal. As forças do id buscam a satisfação imediata sem tomar conhecimento das circunstâncias da realidade. Funcionam de acordo com o princípio do prazer, preocupadas em reduzir a tensão mediante a busca do prazer e evitando a dor.
O ego serve como mediador, um facilitador da interação entre o id  e as circunstâncias do mundo externo, representando a razão ou a racionalidade, e não pode existir sem o id.
E finalmente o superego, que se desenvolve desde o início da vida, quando a criança assimila valores e regras de comportamentos ensinados pelos familiares mediante a um modelo social. Freud imaginava uma luta constante dentro da personalidade, quando o ego deve tentar retardar ímpetos agressivos e sexuais do id e ainda tentar lidar com a busca implacável do defensor da perfeição, o superego. É nessa luta incessante que surgem as ansiedades e angústias, e as formas que o inconsciente encontra para enfrentá-las, os chamados mecanismos de defesa.

1.  A ESTRUTURA DA PERSONALIDADE

Segundo FREUD, a estrutura da personalidade é formada por três instâncias, o id, o ego e o superego, descritas a seguir.

1.1 Id

O id é o sistema original da personalidade, a matriz o qual se originam o ego e o superego. O id é o reservatório inconsciente das pulsões, as quais estão sempre ativas. Ele está diretamente relacionado à satisfação das necessidades corporais. Para Freud, ele age de acordo com o princípio do prazer.

O id não tolera aumentos de energia, que são experienciados como estados de tensão desconfortáveis. Conseqüentemente, quando o nível de tensão do organismo aumenta, como resultado ou de estimulação externa ou de excitações internamente produzidas, o id funciona de maneira a descarregar a tensão imediatamente e fazer o organismo voltar a um nível de energia confortavelmente constante e baixo. Esse princípio de redução de tensão pelo qual o id opera é chamado de princípio do prazer. (HALL, LINDZEY, CAMPBELL, 1998, p.53)

O id representa o mundo interno da realidade subjetiva, não tendo conhecimento da realidade objetiva (função do ego). Para atingir seu objetivo de satisfação, o id tem sob seu comando as ações reflexas (inatas e automáticas, como piscar e espirrar, por exemplo) e o processo primário, que envolve uma reação psicológica mais complexa. Outro exemplo é quando a pessoa está faminta. O processo primário apresenta à pessoa a imagem mental de um alimento, sendo essa alucinação chamada de realização do desejo. O processo primário sozinho não é capaz de reduzir a tensão, pois a pessoa faminta não pode comer as imagens mentais. Desenvolve-se, então, um processo secundário e começa a tomar forma o ego.

 

1.2  Ego

As características do processo secundário (raciocínios maduros necessários para lidar racionalmente com o mundo exterior) estão contidas no ego, que é a segunda estrutura da personalidade freudiana e o mestre racional da personalidade. Enquanto o id obedece ao princípio do prazer, o ego obedece ao princípio da realidade. “O objetivo do princípio da realidade é evitar a descarga de tensão até ser descoberto um objeto apropriado, para a satisfação da necessidade.” (HALL, LINDZEY, CAMPBELL, 1998, p. 54).
O ego controla o acesso à ação e decide que instintos serão satisfeitos e de que maneira. Ele é a porção organizada do id, e existe para atingir os objetivos do id e não frustrá-los.

1.3 Superego

O último sistema da personalidade a se desenvolver é o superego, força moral da personalidade, obtida por meio da introjeção dos valores e padrões dos pais e da sociedade. “Ele é o representante interno dos valores tradicionais e dos ideais da sociedade conforme interpretados para a criança pelos pais e impostos por um sistema de recompensas e punições” (HALL, LINDZEY, CAMPBELL, 1998, p. 54).
A principal preocupação do superego é decidir se uma coisa é certa ou errada, para poder agir de acordo com os padrões morais da sociedade, desenvolvendo-se em respostas às recompensas e punições dadas pelos pais por volta dos cinco ou seis anos de idade. Para receber recompensas e evitar punições, a criança passa a orientar seu comportamento de acordo com os pais. Quando ela é punida, seu comportamento fica incorporado à consciência. Quando ela é recompensada ou elogiada, esse comportamento fica incorporado no seu ideal de ego. A consciência pune, fazendo-a se sentir culpada e o ideal de ego recompensa, fazendo-a se sentir orgulhosa.
Com isso, a criança aprende um conjunto de regras que são aceitas ou rejeitadas por seus pais, introjetando esses ensinamentos, as recompensas e castigos, tornam-se auto-administráveis.

O controle dos pais é substituído pelo autocontrole. Nós passamos a nos comportar, pelo menos em parte, de acordo com as diretrizes morais agora em grande parte inconscientes. Como resultado dessa introjeção, experimentamos culpa ou vergonha sempre que agimos (ou pensamos em agir) em desacordo com esse código moral. (SCHULTZ, SCHULTZ, 2002, p. 51)

As principais funções do superego são inibir os impulsos do id (principalmente sexuais e agressivos); persuadir o ego a substituir objetivos realistas por objetivos moralistas; buscar a perfeição. Apesar das aparentes diferenças entre o id e o ego, na verdade, o superego é como o id ao não ser racional e como o ego ao tentar exercer um extremo controle sobre os instintos. 

O superego não busca prazer (como o id), nem a obtenção de metas realistas (como o ego), mas apenas a perfeição moral. O id pressiona por satisfação, o ego tenta adiá-la e o superego coloca a moralidade acima de tudo. (SCHULTZ, SCHULTZ, 2002, p. 51)

Id, ego e superego, na verdade, são apenas nomes para vários processos psicológicos. A personalidade, normalmente, funciona como um todo e esses diferentes princípios trabalham juntos, sob a liderança do ego. O id seria o componente biológico da personalidade, o ego o componente psicológico e o superego o componente social. O ego, por ficar no meio, é pressionado pelo id, pela realidade e pelo superego e o “resultado inevitável desse confronto, quando o ego é excessivamente pressionado, é o surgimento da ansiedade” (SCHULTZ, SCHULTZ, 2002, p.51).

2. ANSIEDADE: UMA AMEAÇA AO EGO

A ansiedade funciona como um alerta das ameaças contra o ego. Segundo Schultz, Freud descreveu a ansiedade como temor sem razão e que geralmente não podemos identificar a fonte do objeto especifico que a tenha provocado. Freud sugeriu o trauma do parto como o protótipo da ansiedade, pois o recém-nascido é bombardeado com estímulos do mundo exterior para os quais ele não está preparado e que ele não consegue se adaptar. Para isso, ocorre uma série de movimentos motores, a respiração fica acelerada e há o aumento dos batimentos cardíacos, ou seja, nossa primeira experiência com a ansiedade. Esta tendência de reação a estímulos excessivos, de acordo com Freud, persiste por toda a vida e não somente na infância.

A ansiedade provoca tensão, motivando o indivíduo a tomar alguma atitude para reduzi-la. De acordo com a teoria freudiana, o ego desenvolve um sistema de proteção - os chamados mecanismos de defesa - que consistem nas negações inconscientes ou distorções da realidade.

2.1 Três tipos de ansiedade


Sigmund Freud propôs três tipos de ansiedade: a ansiedade objetiva, a neurótica e a moral ou sentimentos de culpa. O tipo básico de ansiedade objetiva se relaciona aos medos e perigos iminentes do mundo real e tem por finalidade orientar o comportamento no sentido de proteção.
A ansiedade neurótica é o medo de que os instintos saiam do controle e levem a pessoa a tomar alguma atitude em que possa ser punida. “A ansiedade neurótica tem uma base na realidade, porque o mundo, conforme representado pelos pais e outras autoridades, realmente pune a criança por ações impulsivas” (HALL, LINDZEY, 1970, p.44), tornando-se um conflito entre o id e o ego.
Já a ansiedade moral é resultado do confronto id e superego, ou seja, é o medo da própria consciência. Dependendo do grau de desenvolvimento do superego, a pessoa tende a se sentir culpada quando faz ou pensa algo que contraria o código moral o qual ela foi criada. É o que chamamos popularmente de “consciência pesada”. De qualquer forma, esse tipo de ansiedade também tem uma base realista, pois o indivíduo foi punido no passado por violar o código moral e teme ser punido novamente.
“A ansiedade alerta o indivíduo de que o ego está sendo ameaçado e de que, se não se tomar uma atitude, este poderá ser subvertido” (SCHULTZ, SCHULTZ, 2002, p.53). Quando o ego não pode lidar com a ansiedade por métodos racionais ele recorre a estratégias não racionais, o que Freud chamou de mecanismos de defesa.


3. DEFESAS CONTRA A ANSIEDADE

Os mecanismos de defesa são diferentes tipos de manifestações que as defesas do ego podem apresentar, já que este não se defronta só com as pressões e solicitações do id e do superego, pois aos dois se juntam o mundo exterior e as lembranças do passado. Quando se desencadeiam situações que possam vir a provocar sentimentos de culpa ou ansiedade, de forma inconsciente, ativa-se uma série de mecanismos de defesa, a fim de proteger o ego contra uma dor psíquica iminente. Um conflito cria em nós uma certa angústia. Essa angústia é o que nos motiva a resolver esse problema. Porém, nem sempre o indivíduo é capaz de resolver um problema de forma imediata e direta através da razão.  Isso se dá pelo fato de que os problemas pessoais têm um certo envolvimento emocional que diminui nossa objetividade, o que nos leva a um processo de ajuste às exigências que a sociedade nos impõe. Tais processos adaptativos são o que chamamos de mecanismos de defesa. Os mecanismos mais comuns são a repressão, a negação, a projeção, a regressão, a racionalização, o deslocamento e a sublimação. 

 3.1 Repressão

Quando um indivíduo possui grande dificuldade em reconhecer seus impulsos que os levam sentir angústia ou a lembrar-se de   acontecimentos passados traumáticos é o que chamamos de repressão. A omissão forçada e deliberada de recordações ou sentimentos é repressão. Em casos extremos, a repressão pode apagar não só a lembrança do acontecimento, mas também tudo que diz respeito ao mesmo, inclusive seu próprio nome e sua identidade, criando uma profundo esquecimento.

3.2 Negação

A negação talvez possa ser considerada o mecanismo de defesa mais ineficaz, pois se baseia em simplesmente negar os fatos acontecidos à base de mentiras que acabam se confundido e na maioria das vezes contrariando uma à outra. Um bom exemplo de negação é um garoto que, ao ser acusado de roubo, que é realmente culpado, diz não ter nada com o acontecido, ou mesmo quando a mãe, percebendo uma completa mudança de comportamento dentro de casa, alega que o filho sai para trabalhar, quando é notório que ele é usuário de drogas.

3.3 Formação de reação

Quando a repressão de fortes impulsos é acompanhada por uma tendência contrária, sob a forma de comportamentos e sentimentos exatamente opostos às tendências reprimidas, tal tendência é chamada de formação reativa.  Uma mãe que se preocupa exageradamente com o filho pode ser reflexo de uma verdadeira hostilidade a ele. Uma pessoa demasiadamente valente pode ser reflexo de um medo do oculto.
Esse mecanismo de defesa mantém o impulso indesejado longe do consciente, superenfatizando o impulso oposto. É um processo psíquico que se caracteriza pela adoção de uma atitude de sentido oposto a um desejo que tenha sido recalcado, constituindo-se, então, numa reação contra ele. Muitas vezes tenta-se negar ou reprimir alguns impulsos na tentativa de defender a pessoa contra um perigo instintivo. São atitudes que cortam a expressão de impulsos contrários, os quais, no entanto, de vez em quando, irrompem por diversos modos.
Nas peculiaridades dessa ordem, a psicanálise consegue provar que a atitude oposta original ainda está presente no inconsciente. Chamam-se formações reativas essas atitudes opostas secundárias. As formações reativas representam mecanismo de defesa separado e independente ou podem constituir consequência e reafirmação de uma repressão estabelecida.

3.4 Projeção

Projeção é o processo mental pelo qual as características que estão ligadas ao eu psíquico são gradativamente afastadas deste em direção a outros objetos e pessoas. Essas projeções tendem a deslocar-se em direção a objetos e pessoas cujas qualidades e características são mais adequadas para encaixar o material deslocado.
Muitas vezes nos defendemos da angústia  gerada por fracasso, culpa ou nossos defeitos projetando a responsabilidade por esse fato em alguém ou em algo.  Podemos citar como exemplo um jogador de tênis que, ao perder uma partida, justifica sua perda colocando a culpa na qualidade da raquete, e nesse caso podemos perceber que aqui a projeção se assemelha ao deslocamento. Outro exemplo seria o fato de tratarmos uma pessoa com hostilidade, justificando a nós mesmos que ela é uma pessoa hostil, mas na verdade o único agente cometendo hostilidade somos nós, a outra pessoa está agindo normalmente.

3.5 Regressão

Regressão é o retorno a atitudes passadas que provaram ser seguras e gratificantes, e às quais a pessoa busca voltar para fugir de um presente angustiante. Devaneios e memórias que se tornam recorrentes, repetitivas. Aplica-se também ao regresso a fases anteriores da sexualidade.
É o processo psíquico em que o ego recua, fugindo de situações conflitivas atuais, para um estágio anterior. É o caso de alguém que depois de repetidas frustrações na área sexual, regrida, para obter satisfações, à fase oral, passando a comer em excesso.

3.6 Racionalização

Racionalização é uma forma de substituir por boas razões uma determinada conduta que exija explicações, de um modo geral, da parte de quem a adota. Os Psicanalistas, em tom jocoso, dizem que racionalização é uma mentira inconsciente que se põe no lugar do que se reprimiu. A pessoa amada que não quer mais você, agora tem muitos defeitos.

3.7 Deslocamento

Também pode ser uma ideia representada por uma outra, que, emocionalmente, esteja associada à ela. É o caso de alguém que tendo tido uma experiência desagradável com um policial, reaja desdenhosamente, em relação a todos os policiais. É muito corrente nos sonhos, onde uma coisa representa outra. Também se manifesta na transferência, fazendo com que o indivíduo apresente sentimentos em relação a uma pessoa que, na verdade, lhe representa uma outra do seu passado. Esse fenômeno, particularmente visível na análise do sonho, encontra-se na formação dos sintomas psiconeuróticos e, de um modo geral, em todas as formações do inconsciente. Deslocamento dos impulsos do id de um objeto ameaçador e indisponível para um outro substituto disponível.

3.8 Sublimação

Sublimação é uma forma de deslocamento, sendo o mais eficaz dos mecanismos de defesa, na medida em que canaliza os impulsos libidinais para uma postura socialmente útil e aceitável.  A sublimação consistitui a adoção de um comportamento ou de um interesse que possa enobrecer comportamentos que são instintivos de raiz. Um homem pode encontrar uma válvula para seus impulsos agressivos tornando-se um lutador campeão, por exemplo.  Para Freud as obras de arte, as ciências, a religião, a Filosofia, as técnicas e as invenções, as instituições sociais e as ações políticas, a literatura e as obras teatrais são sublimações, ou modos de substituição do desejo sexual de seus autores e esta é a razão de existirem os artistas, os místicos, os pensadores, os escritores, cientistas, os líderes políticos, etc.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A ciência pontua três grandes mudanças ocorridas ao longo da história, e que marcaram fortemente a humanidade:  a primeira quando Copérnico demonstrou que a Terra não era o centro do universo, a segunda quando Charles Darwin mostrou que a espécie humana provinha de formas inferiores de vida animal, e a terceira surgiu de Sigmund Freud, quando apresentou sua teoria sobre a personalidade, mudando inteiramente a maneira de ver o homem, falando do inconsciente.  A teoria de Freud causou profundas mudanças no universo da Psicologia, que tinha como precursores o estruturalismo e o funcionalismo.  Lançando o conceito da dinâmica das pulsões de morte e pulsões de vida, num interminável conflito, o modelo de Freud deu uma nova dimensão ao aparelho psíquico, e expôs a fragilidade que existe entre a normalidade e a loucura.
 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HALL, Calvin S.; LINDZEY, Gardner; CAMPBEL, John B. Teorias da personalidade. 4ª Edição. Porto Alegre: Artmed Editora, 2000.
SCHULTZ, Duane P; SCHULTZ, Sidney Ellen. Teorias da personalidade. 4ª Edição. São Paulo: Cengage Learning, 2002.
Fonte : www.freudpage.info/freudpsicoteoria.html acessado em 28-03-2012














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