segunda-feira, 21 de maio de 2012

O Desenvolvimento da Personalidade - Teoria Junguiana

Eliane Floriano Colombo
(aluna do 3º semestre do curso de graduação em
Psicologia da Faculdade Anhanguera- unidade Anchieta)

Os dois aspectos mais relevantes da teoria de Jung é o conceito do inconsciente coletivo, com seus arquétipos e o caráter progressista do desenvolvimento da personalidade.

Para Jung, os seres humanos estão constantemente progredindo ou tentando progredir de um estágio de desenvolvimento menos completo para um mais completo. A meta desenvolvimental almejada pelas pessoas é a autorrealização, que significa a diferenciação (saber quem e o que você é) e fusão harmoniosa mais plena e completa de todos os aspectos de uma personalidade humana total.

Diferentemente de Freud, que enfatizava a causalidade, ou seja, os eventos presentes como consequências ou efeitos do passado como moldadores da personalidade, Jung acrescentou também o conceito de teleotologia, conceito que explica o presente em termos de futuro para explicar a personalidade. Ele acreditava que ambos os pontos de vista são importantes e necessários para o entendimento completo da personalidade. Na causalidade, viramos uma espécie de prisioneiro do passado e na teleotologia, há a esperança e algo pelo que viver.

Jung analisou a personalidade por um período mais longo que Freud, não colocando etapas tão detalhadas de crescimento, mas escreveu sobre períodos específicos no processo geral de desenvolvimento.

Da infância ao início da idade adulta

Na infância, as atividades das crianças são as instintivas, necessárias à sobrevivência. O ego começa se desenvolver no inicio da infância, de maneira primitiva, e aquilo que chamamos de personalidade na criança na verdade é um pouco mais do que o reflexo da personalidade dos pais, que exercem uma influência na personalidade dela.

O ego só começa a ser formar substancialmente quando as crianças começam a se diferenciar das outras pessoas ou objetos do seu mundo, Em outras palavras, a consciência forma-se quando a criança consegue dizer “eu” (SCHULTZ & SCHULTZ, 2002, p. 100).

Nessa fase, os problemas emocionais geralmente refletem influências perturbadoras em casa.
É na puberdade que acontece o nascimento psíquico da personalidade, pois não só emerge a sexualidade como também a criança se diferencia dos pais. O adolescente se depara com as demandas da realidade, com as dificuldades e necessidade de se adaptar. É um período marcado pela extroversão, pois ele preocupa-se com atividades preparatórias, tais como, concluir os estudos, iniciar uma carreira, casar, formar uma família. Portanto, o objetivo da idade adulta é atingir metas e criar uma posição segura, sendo um período de desafios e realizações.

Meia idade

Dos 35 aos 40 anos, os problemas de adaptação do inicio da idade adulta já foram resolvidos e ocorrem grandes mudanças na personalidade. As pessoas pensam em encontrar um propósito em suas vidas e razão para sua existência. Elas passam de uma atitude mais extrovertida para uma mais introvertida e começam a buscar a autorrealização. É o momento da “crise da meia-idade” e passamos nosso foco do consciente para o inconsciente. “Os interesses devem mudar do físico e material para o espiritual, filosófico e intuitivo” (SCHULTZ & SCHULTZ, 2002, p. 101).

Na meia idade, o indivíduo começa o seu processo de realização ou atualização do self, ou seja, a integração do inconsciente com o consciente, e se for bem sucedido, estará em condições de atingir um novo nível de saúde psicológica positiva, ou seja, a individuação.

Individuação

O desenvolvimento da personalidade para Jung é um desdobrar-se da totalidade original não diferenciada (no caso da criança) para a realização da condição de ser si mesmo. Para isso, é necessário que os vários sistemas da personalidade se tornem completamente diferenciados e desenvolvidos. É a integração de todas as facetas conscientes e inconscientes da personalidade. Por exemplo, devemos ter ciência das forças destrutivas da sombra e reconhecer seu lado obscuro, mas não sujeitar-se a eles ou permitir sua dominação. Simplesmente aceitar sua existência. 

Na primeira metade de nossa vida, utilizamos a persona para nos proteger contra esse lado obscuro, querendo que as pessoas vejam somente as nossas qualidades. Mas, ocultando as forças da nossa sombra por causa dos outros, as ocultamos de nós mesmos. Isso tem de mudar como parte do processo de aprendizado sobre nós mesmos. Uma consciência maior dos aspectos destrutivos e construtivos da sombra dará a personalidade uma dimensão mais profunda e completa, porque as tendências da sombra dão sabor, espontaneidade e vitalidade à vida. (SCHULTZ & SCHULTZ, 2002, p. 101).

Para Jung, devemos harmonizar todos os aspectos da nossa personalidade com todos os outros. Um homem precisa ser capaz de expressar seu arquétipo anima, com seus traços femininos, como a ternura, e a mulher precisa expressar seu arquétipo animus, com seus traços masculinos, como a assertividade. Aceitar as qualidades emocionais de ambos os sexos é a etapa mais difícil do processo de individuação, mas que abre novas fontes de criatividade e liberação final da influência dos pais.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

HALL, Calvin S.; LINDZEY, Gardner; CAMPBEL, John B. Teorias da personalidade. 4ª Edição. Porto Alegre: Artmed Editora, 2000.

SCHULTZ, Duane P; SCHULTZ, Sidney Ellen. Teorias da personalidade. 4ª Edição. São Paulo: Cengage Learning, 2002.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.